Xenolia e desnaturalização computacional

2018

Patricia Reed, "Xenofilia e desnaturalização computacional," trans. Gabriela Baptista, (São Paulo: Zazie Edições, 2018).

Brazilian Portuguese version of “Xenophily and Computational Denaturalization” originally published on e-flux Architecture, 2018, translated as part of Luiza Crosman’s project for the 2018 edition of the São Paulo Biennale. Available online here.

Nosso atual momento é marcado por intensa incompatibilidade. As múltiplas crises que enfrentamos, sociais, econômicas e ecológicas (impossíveis de serem separadas), são incomensuráveis com os meios de que dispomos para mitigá-las de forma justa.Essas crises não apareceram de repente, do nada, mas são resultado de produção humana; uma produção profundamente desigual, cujas consequências agudas seguem trajetórias já bastante percorridas de dominação histórica. O desenvolvimento tecnológico desenfreado é, em parte, cúmplice na amplificação dessas crises, mas o é principalmente por estar tão entranhado em diagramas sociopolíticos específicos, que impõem muito mais restrições delimitadas, por exemplo, àquilo que os algoritmos fazem, do que àquilo que poderiam fazer. A questão crucial aqui está em “poderia”, trata-se de uma questão de habilitação: em que condições, digamos, o algorítmico nos serve, em que condições nos devorará para nos usar como peças sobressalentes e em que condições criminaliza pessoas inocentes de forma preventiva? É dessa questão de habilitação e dos modelos conceituais de coabitação em escala planetária que diagramam tal habilitação, que precisamos partir.

Patricia Reed, "Xenofilia e desnaturalização computacional," trans. Gabriela Baptista, (São Paulo: Zazie Edições, 2018).